sábado, 22 de março de 2008

Era dia de semana, noite, março. Andava sozinha de volta para casa quando sua sombra se juntou à minha. Ao meu ato reflexo ele disse palavras quase tranquilizadoras. Porém, o instinto de defesa e contestação me fez correr até onde podia avistá-lo. Não sendo mais possível persuadí-lo a descartar meus objetos pessoais e documentação, me dirigi até um local em que havia, no mínimo, meia dúzia de policiais juntos e muitas viaturas. Seguiu-se uma pequena busca infrutífera e a preparação do boletim de ocorrência.

No outro dia, não me foi permitido almoçar no restaurante universitário pelo preço de aluno, mesmo de posse do número do B.O., que fica pronto somente após 48 horas. Através de um e-mail endereçado à Reitoria, consegui o ressarcimento do que me foi cobrado em excesso.

A maior parte dos documentos foi encontrada por um homem que fez de tudo para me contactar e entregá-los.

Assim, na minha “estréia” como assaltada, encontrei desrespeito, mas também atenção. Exposta ao risco, fui submetida à abordagem, mas protegida e poupada da violência física. Assim como não há, na Terra, Sol sem Lua, doce sem sal, água sem fogo, em nossa existência não há convívio sem conflito, alegria sem desgosto, equilíbrio sem caos. Tudo se movimenta, vai, volta, se modifica, se acomoda e cada um realiza sua própria seleção de elementos bons ou ruins para compor sua trajetória e interferir na sociedade.

Entre os fundamentos da República, forma de governo adotada no Brasil, está a dignidade da pessoa humana.

“A dignidade é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e que traz consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas, constituindo-se um mínimo invulnerável que todo estatuto jurídico deve assegurar, de modo que, somente excepcionalmente, possam ser feitas limitações ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos” (MORAES, 2004, p.52).

Ainda, a maioria das pessoas que habitam as cidades não se comportam como “iguais” em relação ao outro. No entanto, é essencial a visão republicana para suavizar o cotidiano.

A Páscoa, data importante no calendário cristão, simboliza uma passagem, uma mudança para melhor. Nesta época do ano renovamos o espírito, nos confessando, perdoando (como lembrou Tom Jobim, em entrevista a Roberto D´ávila, "perdoar; perdonar; perdonare; pardonner, forgive: para dar") e abrindo portas do coração.
Postado por Juliana.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bi, eu te peço que me perdoe por todas as vezes em que te magoei.

Gabriela Galvão disse...

Ô meu Deus, pq isso? Ñ hah o q perdoar, meu amor...


Essa foto eh linda e desconfio d q o abraço tenha sido melhor p/ mim q p/ vc: suas mãos nas minhas costas; as minhas, se encontrando... Mas foi um "lapso", eu sei abraçar!!!!!!!

Am... Credo, ñ sabia do trem do R.U.! E aqui... a comida lah eh tranquila? Pq aqui na UFES a qualidade eh terrível...

Então tah, mon amour... Fica bem