domingo, 16 de março de 2008
Cesária Évora e Marisa Monte
Adoro esse dueto da canção Mar Azul. Cesária Évora é cabo-verdiana. Cabo Verde é um arquipélago africano. A população fala português e crioulo caboverdiano.
Mar Azul
Composição: B. Leza
O... Mar, detá quitinho bô dixam bai
Bô dixam bai spiá nha terra
Bô dixam bai salvá nha Mâe... Oh Mar
Mar azul, subi mansinho
Lua cheia lumiam caminho
Pam ba nha terra di meu
São Vicente pequinino, pam bà braçá nha cretcheu...
Oh... Mar, anô passá tempo corrê
Sol raiá, lua sai
A mi ausente na terra longe... O Mar
Postado por Juliana.
terça-feira, 11 de março de 2008
Primeiro devagarinho, depois tomou conta de tudo
O suco de maracujá e o dia agitado contribuíram para esse sono pesado
De repente, não lembro de mais nada
Notícias das coisas do mundo só no dia seguinte
Até os sonhos pareciam estar distantes
Tudo estava longe
Por um instante me senti como um objeto inanimado
Sem conexão com as pessoas ao redor
Sem pensar em nada, pelo menos não me lembro de nada
Até que me desperto com a claridade do dia
Espontaneamente, sem despertador
Voltei ao mundo, parece que renasci
Retornei às sensações conhecidas, aparentemente claras
Mas hoje à noite retorno àquele mundo diferente do adormecer
Muitas sensações poderão ser vividas e sentidas em nossos sonhos
Às vezes sonhamos com acontecimentos desejados ou que nos causam preocupações
Outras vezes, parece que nem sonhamos, mas sim, damos um intervalo de nós mesmos e voltamos só depois...
Publicado por Patrícia
Postado por Patrícia
sexta-feira, 7 de março de 2008
Filme sobre a nossa língua
Filmes sobre a língua portuguesa nos fazem ficar mais apaixonados por ela. Mostram seu território, sua musicalidade, mostram como são as pessoas que formam seu grupo de falantes, nos instigam a outras descobertas sobre algo com que temos contato desde que nascemos. E há sempre mais a conhecer.
Wim Wenders fez um filme assim: O céu de Lisboa, em 1995. Se você aluga em DVD, dá vontade de ver os extras.
quarta-feira, 5 de março de 2008
A prova

Numa daquelas casas ali morava Analu. Menina de família bem de vida, menina educada, pura ingenuidade, mas tão indefesa, tão indefesa... tal qual o coleirinho criado cativo. Analu não tinha o que pudesse desencadear em seu organismo o estímulo para o envio de uma mensagem ao cérebro, que fizesse com que uma frase de reação fosse formulada e as palavras desta frase se tornassem som, produzido pela vibração de suas cordas vocais, junto ao movimento de língua, lábios e dentes. Ela não se defendia. Não se revoltava, não se abalava diante das chacotas que lhe eram oferecidas gratuitamente todas as vezes em que contava seus casos. Muitas vezes as gozações eram feitas às suas costas- dentro das casas ou nas rodas de estudo, quando de uma dispersão dos estudantes -é verdade. De qualquer forma, Analu era alheia e não se importava que acreditassem ou desacreditassem em seus casos. Não houve vez em que demonstrasse desejo de provar que o que estava contando era verídico. Até que um dia, o... bem, primeiro vou contar umas duas estórias dessa menina que você vai achar até que ela devia estar no hospício.
Disse ela que uns turistas de uma praia muito exótica no oceano Pacífico estavam bem contentes e folgados em suas luas-de-mel, férias e recessos, quando uma onda gigante de cinco metros subiu da arrebentação. As águas levaram pessoas, carros, casas, vacas, pianos, tudo o que estava no caminho entre o esticar da onda e o seu recolher. Não é demais? Cinco metros? Então. Pois contou, também, Analu, que uma criatura com uma cabeça, seis braços com trinta dedos e quatro olhos tocou a zabumba, o triângulo e a sanfona aos pés de sua janela e da catuabeira. Mais tarde, a criatura pegou ainda a rabeca e desandou a xaxar.
Pois um dia, foi aí, foi nesse dia que a Analu teve um estalo. As implicâncias entraram em seu ouvido externo, viajaram lá para dentro da caixola, um pouquinho delas foi para o fígado, outro pro coração, um tiquinho saiu pelo outro ouvido, danaram a fazer volta dentro da caixola, estimularam o cérebro, o qual ordenou que uma mensagem fosse dita pela voz de Analu aos descrentes.
― E-e-e-e-ita! Rapaz, e qual foi a mensagem?
A menina olhou sem expressão para quem lhe chacoteava pedindo provas do que ela dizia e afirmou:
Eu vi.
Conto dedicado ao Grupo pernambucano Comadre Fulozinha.
Postado por Juliana. Foto: Flickr
segunda-feira, 3 de março de 2008
Segunda
In: A paixão segundo G.H., Clarice Lispector
Postado por Juliana.
